sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Prata e rosados



Meus olhos prata derramam-se em talheres de cozinha taciturnos. 

O brilho ecoa pela sala, traz respostas imediatas, brilhantes. 

Um limo de amor eternizante pelo caminho.

 A seda era carmim. 

Os lábios rosados e os brilhos prateados.

 Incendeiam amor! 

domingo, 3 de setembro de 2017

Gato!



É noite! 

O gato me espreita 

e eu espreito o gato. 


Não sei em qual rua, 

mas sei que está lá 

e me olha 



e eu o procuro, 

gato dos meus olhos.

k.t.n in dias*

sábado, 5 de agosto de 2017

De mim

E quando não puder ser amor, que pelo menos seja silêncio.

Desejo


Há um desejo intenso de viver/ na plenitude que o humano possa ser capaz / atravessar atmosferas e átomos / resolver a questão/ Há no ar o cheiro de mistério / recusa da passividade / ardor querendo brotar / e não é dia de domingo.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Trovinha de querer bem!





E se a poesia te deixar


Agarre-a com toda a força!



Não a deixe partir de ti



Tanto bem tanto querer



Que esta vida por viver



É saudade e não tem fim



Registre com olhos e afins.



Trabalhe com a régua 



Transferidor e compasso,



Papel e tinta no jeito

Palavras e frases no peito.


k.t.n. in provinha besta

terça-feira, 18 de julho de 2017

Narinas

Um pão,
uma narina
a tangerina
abre

cura e secreta
esparge
o sumo

libera voláteis
gomos carnudos
deita a pele
rugosa

depois de seca
na boca
homem.


k.t.n. in sumo

Húmus

Feita das espécies me compus
Neste campo fértil de húmus
Troglodita de resíduos e verminoses
Embarquei num mastro rumo
ao rio
Neste fundo do rincão macio
As dentaduras caídas ao largo
Espécie de contrato com o malfadado
Entrega do que faltou 
As areias da enseada prantearam
Levantaram-se para me suspender
Já de barro puro já não sou
Contaminada de insetos e pus 
Pés tardios em andanças mil
Mãos partidas em comboios e navios
Ruminando entre hálitos e salivas
Nocivas falas, grunhidos inatingíveis

Eis o homem!
Composição febril!

Saco de batatas em patente dissolução 
Degradação dos dias o tempo não engana
Perde-se mais ainda, nas vaidades mundanas
E os vírus do fracasso e do temor
Se assenhoreiam deste passo largo
Que é deste corpo falho e macio?
Que é do sabor, paladar, linguajar?
Em horas terrestres que os sombrios passeiam
Em noites de geada, de vento e de peste
Acumulam os nervos mensagens atrozes
Levando ao regaço do epitáfio 
A mensagem única 
Que rasga a sublimidade, a pele macia
Do pêssego e veludo
O húmus atingido e fecundado 
Retorna, retorna humidificado
Faz novo rosto, contorno, utopia
Um novo homem, face a face 
Unhas frias, boca silente, aguardente
Brota das terras e dos conglomerados
Imagem infantil engano para crescer


E passa boi, passa boiada
Leva-se, assim, às madrugadas.


k.t.n. in vermifugando