sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Para Fernanda Balbinot Carvalho

E te beijo com a areia e com os pés. / 
E te beijo com carinho e devoção. / 
Ainda beijo entre os olhos e cabelos. / 
Entre as pálpebras cerradas. / 
O carinho e o desvelo./ 

Beijo-te sempre e em mãos ágeis corredeiras. / 
E mais além, quando cansadas sentarem-se ao largo. / 

Beijo além, nas areias desta praia / 
Como ninguém, confesso à lua e à chuva rasa. /
 As estrelas todas contadas / 
Do céu da terra e do infinito./ 
Palmilham em estradas iluminadas / 


Para uma Fer, uma menina e moça, a nova estrela. 


E te beijo! 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Hoje

Hoje chegou, agora! Graças! 

Na segunda as coisas acontecem, 

as reais. 

Bjs.

Dá para acreditar?

Nunca mais serei a mesma, nunca mais. Disse isso para que pudesse acreditar e levar adiante o peso do que ficou mal resolvido. O certo seria nunca mais confiar, sempre e nunca, pois mudamos e cantamos conforme a música e outros mudam mais, conforme camaleões. A maturidade não ensina, cometemos os mesmos erros, embora os sinais, os sinais, inevitáveis e que fazemos de tudo para não ver, ouvir, sentir. Dói menos. Não, dói mais, depois muito mais. Então, acreditar no que se vê, no que se ouve, no que se sente e nunca mais acreditar no auto-engano, no que potencializamos para seguir em frente, numa máscara assustadora, que craquela amarelecida e cai. Quem ausentou o seu coração? Quem se ausentou? O que nunca esteve, só tangenciou, cutucou suas águas fundas com o anzol, pescou o que pôde e se foi, a limpar o seu peixe e as suas mãos, porquê vestígios. Melhor não. Pé ante pé, sai sorrateiro e fecha a porta, macia, como o andar do assaltante dentro da casa habitada e leva e leva e ninguém vê, ou finge dormir, para o não enfrentamento. Covardia, instinto, ou preservação da espécie, esta tão mutilada, de ventre, coxas, braços, encéfalos, coração. Este é só um, só um. Aprendeu? Nunca mais confiar, nunca mais acreditar e descer a ladeira com pão branco sob o braço tendo a certeza de que logo terá mais um café.

Dá para acreditar?!

k.t.n. in dias 

domingo, 27 de novembro de 2016

Colóquio sobre a paz

A paz vem pelas palavras. Precisamos escrever. Dialogar, discutir para estabelecer a paz. A aparente calma não é paz. O lago obscuro carrega no seu interior gérmens de agonia. O mar revolto transcende nossos pensamentos e reelabora nossas palavras, pois as leva e traz num continuum. O mar é amigo das palavras, joguemos-as ao Mar e não ao vento. 
k.t.n.* in palavras, palavras, desatando nós.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

VidAcalma

A vida que acalma a vida.
Há vida que acalma a vida
Há olhos intensos nesta chama
Um pedaço de mim em ti passeia.
Uma cama, mucama, incendeia
Ojeriza ao nunca dantes visto
Um poeta cruza o muro
O arrebol espreita
Tormentas quebram-se na areia
O aprendiz se move.
A faca treme-lhe nas mãos.
Um poeta dorme,
O mundo cochila
Ventania encomendada
Lavando almas roubadas
A minha pressa não te chama
Tenho olhos que não se prendem
Metade de mim sente
A outra pressente e dorme.

In Si

Tenho todos os segredos do homem em mim
numa paz cruel e inacessível,
trancada em muros construídos ao acaso
não quero mais a rosa, fiquei com os espinhos.

Uma luta diária e serena neste caminho
observo os que passam, poucos os que ficam
numa lealdade solitária em seus aposentos
folheando seus livros de história, narrativa pessoal

Intransferível pergaminho, linhas sinuosas
as minhas retas, retilíneas, esbarrando nas verticais
as paralelas não se tocam, as paredes altas
o fosso em andamento, as folhas e flores margeando.

Um eterno ir e vir, a caverna escura e luz
a fome que me completa e sacia
o escudeiro e sua feroz espada regressa
não há tangentes e violões na sala

Espécie de fauna e flora que se alternaram nas estações
do dia a força da natureza compõe e o muro
levanta-se e protege o que fica, divide, separa
assalta os olhos, não se pode ver além.

k.t.n in si

O homem dorme

O que ai de mim neste momento?
Fuga, arte e pensamento?
Não sabemos.
Todos tolos estamos.
A ideia do que passa foge
A permanência se esgota na passagem
O que era saudade se diluiu
As águas fugiram pelo rio
E o que ficou?
Um vento soprando ao longe,
O relento na madrugada morna
A viração no cais
O rio, grande rio que segue
A cobra d'água e o olho
Furacão se aproximando 
Um homem dorme
Uma mulher passeia
Crianças brincam
Bonecas sorriem
E neste ai e outros esgotamento
a menina do bordado perdeu a trança
a brisa refresca a memória
Naus atravessam oceanos
Ideia inacabada e aventureira
Um homem dorme
Uma menina passeia.
A flor cai.
k.t.n.in cais.